Imprensa: Mais de 70 fundos de pensão tiveram prejuízo no Banco BVA

Operação de BVA afeta mais de 70 fundos
DAVID FRIEDLANDER
JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO

19/01/2014  03h00

Mais de 70 fundos de pensão de empresas estatais e de prefeituras de todo o país correm o risco de perder a maior parte dos R$ 2,7 bilhões que investiram na compra de papéis lastreados por empréstimos originados no Banco BVA, em processo de liquidação desde agosto.

O investimento dessas entidades nesse tipo de papel é o dobro do que era conhecido até agora, segundo levantamentos feitos depois que a instituição passou à tutela do Banco Central e aos quais a Folha teve acesso.

Entre os bancos pequenos e médios, o BVA foi um dos que mais atraiu os fundos de pensão. As entidades o ajudaram a ter um crescimento relâmpago. Em seis anos, seus ativos aumentaram 17 vezes: de R$ 430 milhões, em junho de 2006, para R$ 8 bilhões, em junho de 2012.

Evolução do Banco.

Evolução do Banco.

Para captar os recursos dos fundos de pensão, o banco vendia títulos lastreados nos empréstimos que concedia, conhecidos no mercado como direitos creditórios.

Funcionava assim: o banco financiava empresas e depois transformava a operação num título, que era vendido a investidores.

Quase metade desses papéis, R$ 1,3 bilhão, foi vendida diretamente aos fundos de pensão. Os maiores compradores foram a Petros (dos funcionários da Petrobras), o Postalis (Correios) e a Refer (Rede Ferroviária Federal).

O outro R$ 1,4 bilhão foi negociado com fundos de investimento ligados ao BVA e que tinham os fundos de pensão como cotistas.

Nesse grupo estavam não só as entidades ligadas às estatais, mas também os institutos de previdência de 59 municípios e dos governos estaduais de Tocantins e Roraima.

Nessa ciranda, aparecem cidades do porte de Campinas (SP), Manaus (AM) e Joinville (SC), e entidades de pequenos municípios como Serra (ES), Palhoça (SC) e Bom Jesus dos Perdões (SP).

PERDAS

Nas avaliações de técnicos que destrincharam as operações do BVA, uma parte significativa dos empréstimos que lastrearam os papéis vendidos no mercado foi concedida a empresas com pouca condição de honrar os pagamentos.

Várias não tinham crédito com os grandes bancos. Por isso, aceitavam pagar juros mais elevados no BVA.

Nesse tipo de investimento, quando o devedor não paga, a conta estoura na mão de quem comprou o título. Para se prevenir, os investidores costumam exigir que o banco honre o compromisso, uma “trava de segurança” conhecida como coobrigação.

Nas operações do BVA, só 15% tinham esse tipo de garantia, segundo especialistas que avaliaram o banco.

“Estamos enfrentando um grande prejuízo, apesar de todas as regras que criamos após a quebra do banco Pan-Americano [2010] para proteger esses fundos”, diz Leonardo Rolim, secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência.

No fim de 2013, o BC obrigou os fundos de investimento a lançar em balanço as perdas decorrentes dos atrasos de pagamento desses títulos. Rolim, da Previdência, espera que os fundos de investimento em que prefeituras e Estados aplicaram consigam recuperar pelo menos parte das aplicações.

Mas as chances não parecem grandes. No ano passado, o liquidante do BVA, Valder Carvalho, fez um leilão para tentar vender trinta operações de crédito do banco.

Seria um teste para avaliar as chances de recuperação da carteira. Como os interessados pediram descontos que passaram de 70%, o liquidante desistiu. Procurado, Carvalho não quis se pronunciar.

Profissionais que tiveram acesso aos empréstimos da instituição calculam que mais da metade da carteira esteja na categoria de “difícil recebimento”.

OUTRO LADO

Ivo Lodo, ex-presidente do BVA, não quis se manifestar. A reportagem também procurou as dez entidades de previdência com maior exposição aos papéis do banco (veja quadro nesta página).

Cinco delas (Postalis, Geap e os fundos de Tocantins, Manaus e Macaé) não responderam até a conclusão desta edição. Os representantes do Refer e do fundo de Roraima não foram localizados.

Por meio de sua assessoria, a Petros informou que não investiu diretamente no BVA. Seus recursos foram para fundos que tinham direitos creditórios “emitidos por empresas de médio porte”.

A Faceb, dos funcionários da Companhia Energética de Brasília, confirmou ter aplicado em “títulos estruturados pelo BVA, oferecidos pelo próprio banco”, e que uma parte está inadimplente.

Sergio Miers, gerente do Ipreville, da Prefeitura de Joinville (SC), disse acompanhar a situação com cautela.

Da ascensão à quebra.

Da ascensão à quebra.

Sinait discute metas de fiscalização

Qualidade x Quantidade.

Qualidade x Quantidade.

Fonte: Sinait, 17/01/2014

Metas para a fiscalização em 2014 têm aumento

Com exceção das metas de Segurança e Saúde no Trabalho, todas as outras tiveram aumento

O Ministério do Trabalho e Emprego – MTE publicou nesta segunda-feira, 13, as metas globais para a Fiscalização do Trabalho do exercício de 2014.

A despeito da redução do número de Auditores-Fiscais do Trabalho – atualmente são 2.781 em atividade, e os 94 novos aprovados que tomarão posse sequer repõem o número de aposentados em 2013 –, as metas de fiscalização sofreram aumento. O Sinait comparou os números de 2013 com os desse ano e, com exceção da Inspeção em Segurança e Saúde no Trabalho, que se mantiveram, as metas aumentaram em todas as áreas.

Essa realidade é preocupante, porque distorce o equilíbrio na busca por excelência na Auditoria-Fiscal do Trabalho com a quantidade de ações realizadas.

A discussão que opõe “quantidade x qualidade” na execução dos projetos de fiscalização adotados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, por meio daqueles considerados nacionais obrigatórios e também dos adotados por cada Regional, é objeto de críticas por parte dos Auditores-Fiscais desde a publicação da Portaria 546, de 12 de março de 2010, que normatizou a nova metodologia de trabalho da Auditoria-Fiscal do Trabalho.

Com a nova metodologia, esperava-se uma maior valorização qualitativa dos resultados da fiscalização e não um destaque e papel protagonista para as metas quantitativas. Entende-se a importância da aferição numérica, mas não como condutor do avanço da fiscalização, nem tampouco como elemento de avaliação efetiva dos seus resultados.

Não há como produzir resultados compatíveis com a expectativa de uma Auditoria-Fiscal do Trabalho que serve de exemplo, em muitas de suas práticas, para o mundo, com uma crescente e progressiva redução no quadro de Auditores-Fiscais. Esse cenário é incompatível com o aumento das metas de fiscalização.

2013 foi um ano ruim para quem investiu na Previdência Privada

10 de janeiro de 2014 – Fonte: DS Campinas/Jundiaí via Portal dos Auditores Fiscais.

Foto: Elembis/Wikipédia.

Foto: Elembis/Wikipédia.

Reportagem publicada no Jornal Valor Econômico na edição desta quinta-feira, dia 9, revela que o ano de 2013 foi turbulento para quem investiu em planos e Previdência Privada. Contrariando o cenário montado pela propaganda do setor, que mostra um mundo de tranquilidade e bem estar, a reportagem alerta que quem imaginou os investimentos do gênero como um caminho zen, de rentabilidade continuamente crescente, levou um susto.

De acordo com os dados apresentados pelo jornal, “em 2013, conforme revela o balanço realizado com 727 fundos pelas consultorias NetQuant e Towers Watson, todos os segmentos da previdência aberta perderam de goleada para o Certificado de Depósito Interfinaneiro, o CDI, principal referência de retorno da renda fixa, que rendeu 8,06% no ano passado, e até mesmo da poupança, com 5,85% de ganho líquido”.

Ainda de acordo com a reportagem, “os resultados ruins em 2013 espelharam, entre os principais fatores, o ciclo de alta de juros combinado ao movimento de alongamento de prazos médios das carteiras de previdência”.

O cenário apontado pela reportagem do jornal Valor Econômico mostra como os Planos de Previdência Privada estão longe de constituir uma aposentadoria tranquila para seus investidores. Ao contrário do conceito de previdência, na verdade trata-se de mais uma modalidade de aplicação no mercado financeiro, com todos os riscos inerentes a este tipo de operação.

É neste contexto que está inserido o FUNPRESP (Fundo de Previdência do Servidores Públicos) aprovado em 2012. Como alertávamos à época, a aposentadoria dos novos servidores corre sério risco.

Veja o link da reportagem (conteúdo exclusivo para assinantes do jornal Valor): http://www.valor.com.br/financas/3389186/choque-na-previdencia

Opinião: “Suiça, segredo bancário e o Brasil”

Fonte: Direto da Redação.

Por Rui Martins.

Banco UBS. Foto: twicepix/Wikipédia.

Banco UBS. Foto: twicepix/Wikipédia.

Berna (Suiça) – A Suíça não tem mais segredo bancário. É verdade mesmo ? Sim, porém é uma verdade relativa, acabou o segredo bancário para os europeus e para os estadunidenses. Ou seja, o segredo vai continuar para os africanos, os asiáticos e para… os brasileiros !

O governo dos EUA, que é extremamente severo em termos de pagamento dos impostos, descobriu que os bancos suíços, entre eles o maior banco suíço o UBS, andaram abrindo contas secretas para cidadãos norteamericanos, permitindo-lhes burlar o fisco.

Isso graças a vazamentos de nomes e contas gravados em Cds e vendidos por funcionários e informáticos desses bancos à Alemanha e França, mas que acabaram indo parar nos departamentos de impostos de outros países europeus e a onda chegou aos EUA.

O leão norte-americano, mais voraz e mais forte, como o leão da fábula de La Fontaine, não teve dúvidas e, em lugar de comprar Cds piratas, intimou a Suíça e os bancos suíços para entregarem tudo na bandeja, tipo nomes dos clientes e valor das contas. No começo, a Suíça quis rejeitar em nome de soberania e os bancos rosnaram que isso seria um desrespeito e uma traição aos clientes, porém o fisco norteamericano tratou a ambos como ladrões e cúmplices de evasão fiscal. Se não obedecessem teriam multas colossais e a proibição de haver bancos suíços nos EUA.

Os parlamentares esbravejaram, bronquearam, mas os bancos foram enviando discretamente os nomes de seus clientes norteamericanos. Alguns correram se autodenunciar para escapar da prisão, porque nos EUA jamais haveria essa história da Globo Televisão, Rádio e Jornal esquecer de pagar impostos, outros já estão com processo e risco de perderem o que depositaram na Suíça mais uns anos de prisão.

Faz alguns dias, um dos mais importantes diretores do UBS, o número 3 em importância, Raoul Weil foi preso e compareceu diante do juiz como qualquer ladrãozinho de galinhas – algemado e de pés travados. Embora soubesse estar com o nome na Interpol e ser procurado a pedido do leão norteamericano, Raoul Weil, que deve ganhar mais de um milhão por mês, bobeou e foi com a esposa fazer turismo na Itália, hospedando-se num hotel de luxo, onde foi acordado de madrugada pela Polícia italiana e, depois de um rápido processo, foi extraditado para os EUA.

Milionários alemães e franceses, mesmo espanhóis, têm vivido pesadelos desde que vazaram suas contas secretas para os fiscos de seus países. E os governos não brincaram – ou se autodenunciavam, tendo multa menor, ou perderiam tudo. É aquela história dos que tendo muito querem ainda mais. Embora nadando no luxo, comendo do bom e do melhor, não queriam pagar imposto de renda e de fortuna, esquecendo-se que seus países precisam dos impostos para os programas sociais e mesmo para o desenvolvimento.

Essa história envolve bilhões de dólares. Ninguém precisa ficar com dó dessas pessoas porque são multimilionários.

Porém, existe para os bancos suíços a outra possibilidade – a de continuar usando a oferta da conta secreta para os cidadãos dos países fora da União Européia e dos EUA. E entre os favorecidos estão os milionários brasileiros, entre eles muitos militares da época da ditadura e quase todos nossos valentes e previdente políticos, quem sabe até de esquerda.

Quando escrevi meu livro Dinheiro Sujo da Corrupção, sobre as contas secretas do Maluf, havia 130 bilhões de dólares de brasileiros nos cofres suíços. Só isso 130 bilhões de dólares. Vez ou outra, surgem na imprensa casos de brasileiros autuados na Suíça por utilizarem dinheiro da fraude, como comissões nas concorrência de obras públicas, mas nunca sobre brasileiros que colocaram seu capital na Suíça em operações de evasão fiscal. Existe numerosas maneiras para se exportar o dinheiro brasileiro para a Suíça, alguns grandes bancos estrangeiros e mesmo nacionais se encarregam, sem o risco dos doleiros.

O caso mais conhecido, porém se tratam de pequenas contas comparadas com as dos privatizadores da riqueza nacional, é o do ex-governador biônico e prefeito Paulo Maluf. Embora tenha sido a própria Suíça a delatora, até hoje o dinheiro bloqueado não foi devolvido a São Paulo porque não se concluiu no famoso STF, que pelo jeito só se apressou com os chamados mensaleiros. O STF teria de condenar Maluf, na última instância, e com base nisso São Paulo poderia pedir à Suíça o que restou por lá do dinheiro bloqueado, mas transferido a tempo para a Ilha de Jersey.

O ano que vem, vai fazer dez anos o bloqueio e a Suíça não terá outra solução senão a de levantar o bloqueio e transformar o dinheiro em contas normais.

Para terminarem as contas secretas dos brasileiros na Suíça, o governo deveria fazer como a UE e os EUA – assinar um acordo bilateral pelo qual os impostos seriam devidos ao Brasil seriam retirados das contas dos brasileiros ou, então, informar ao fisco brasileiro sobre as contas dos brasileiros para os impostos serem pagos no Brasil.

E vocês acreditam que um dia o governo brasileiro fará isso ? No mesmo livro citado, lembrei ao fisco brasileiros que Paulo Roberto de Andrade, dono da falida empresa Boi Gordo, tinha conta em Miami, nos EUA, que não foi incluída no total da concordata para pagamentos dos credores e das coitadas das 30 mil pessoas que acreditaram ou foram induzidas a acreditar nos bois gordos.

Houve alguma reação ? Nenhuma, tanto que Paulo Roberto de Andrade foi mesmo absolvido penalmente e a concordata ficou só no plano civil. Quem sabe algum dia, antes do fim do mundo, os pobres credores irão receber 10 ou 20% do que investiram. Mas sobre a conta na qual muitos depositaram em Miami, nem sinal e nem sindicância. Isso é o Brasil mesmo com governo de esquerda.

Quem sabe, se muita gente acredita em Papai Noel e mesmo em Deus, haverá neste ano de 2014 um político, um ministro, alguém, que acione a necessidade do Brasil celebrar um acordo bilateral com a Suíça pondo fim ao segredo bancário no estilo dos acordos com os EUA e com a UE. Seria a maneira de se recuperar 130 bilhões de dólares, que já devem ser muito mais.

Porém, infelizmente todo mundo tem o rabo preso e eu sinceramente não acredito. Maluf recuperará seus milhões, Roberto de Andrade continuará rindo dos otários que acreditaram no boi gordo, todos saberão que os privatizadores têm conta na Suíça, mas nem deputados e nem ministros não farão nada para isso mudar, porque é provável que, numa quantia menor, mas quase todos já têm também sua conta secreta na Suíça.